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2 de janeiro de 2015

Precisão

De tudo o que foi escrito,
Quase nada é necessário.
E o que é necessário
Foi escrito
De modo desnecessário.

25 de agosto de 2012

9 de novembro de 2011

Educação sentimental

Esfrego sua cara
No meu amor,
Como se esfrega
O focinho de um cão
Em suas fezes.

23 de setembro de 2011

Vegetariano

Margarida, Rosa, Hortênsia.
Só comia carne
De flores.

20 de setembro de 2011

4 de agosto de 2011

Cuidado

Não ultrapasse a linha amarela
Risco de ferimento cardíaco grave

11 de julho de 2011

Sonhos

Tentei alimentar meus sonhos,
Mas eles cagaram no meu travesseiro.

8 de junho de 2011

M.

Gamine da nouvelle vague
Volúpia noir
Lábios coração vermelho-sangre entre a fumaça
E olhos de gato siamês

Silêncio, beco, sombra
Mistério
Nunca sei
Nikkei

24 de maio de 2011

No lugar

"Mantenha a cabeça no lugar!"
Que lugar?

Todo lugar?
Lugar-comum?
Lugar nenhum?

Alugar.

19 de maio de 2011

No teto

Em divagações,
Olho para o teto
– Projeto –
(Secreto)
Tão perto!

Nada vejo.

13 de abril de 2011

Felicidade

Felicidade
É placidez.
Intensidade,
Epíteto da angústia.

22 de fevereiro de 2011

Buraco

Há de se andar
Olhando para cima,
Senão o buraco
Cai em você.

20 de janeiro de 2011

Heptapoema

A carne sublima.
Feita pura razão,
A alma se eleva
E sangra.

Membros arrancados,
Gritos de horror,
Súplicas inúteis,
Sangue no jornal.
O crime.

Bebia para esquecer.
Melancólico,
Continuou a beber
E esqueceu de morrer.

Gira, gira, gira...
O invisível
Em movimento.

O ser
E sua negação.
O espírito.
Depois, o ser-aí.

Entre ser e parecer,
Entre ir e ficar,
Entre si e outro,
Duvidava.

Ao vir ao mundo,
O que se recebe
É absurdo.

19 de janeiro de 2011

Heterônomo

Calado, acato.
Pacato, aceito.

Resignação.

Reino onde não reino.

14 de janeiro de 2011

13 de janeiro de 2011

12 de janeiro de 2011

Hecatombe

Estamos morrendo,
Mas cada um a seu tempo
E a seu modo.

Fugir da hecatombe
É outra diáspora.

11 de janeiro de 2011

Hematomas

Quando nos acostumamos
Aos hematomas,
Eles resolvem
Desaparecer.

29 de dezembro de 2010

Profana dança

Jogar amor, as regras desconheço
Atuo sempre desorientado
Se tento é sempre intento fracassado
Desgarro, agarro, amarro e então pereço

Profano, danço até que hesito exausto
Espelho expresso rápido indeciso
Duvido olhar calado peito inciso
Afago, ofego e me redimo infausto

Em minha pele cada poro sua
Mentira que transpira, inspira e clama
Derrama sobre sua pele nua

A mesma farsa em dois subtraída
Sentida só depois que a fria chama
Apaga e chama à vida desmentida