11 de julho de 2011

Sonhos

Tentei alimentar meus sonhos,
Mas eles cagaram no meu travesseiro.

8 de junho de 2011

M.

Gamine da nouvelle vague
Volúpia noir
Lábios coração vermelho-sangre entre a fumaça
E olhos de gato siamês

Silêncio, beco, sombra
Mistério
Nunca sei
Nikkei

24 de maio de 2011

No lugar

"Mantenha a cabeça no lugar!"
Que lugar?

Todo lugar?
Lugar-comum?
Lugar nenhum?

Alugar.

19 de maio de 2011

No teto

Em divagações,
Olho para o teto
– Projeto –
(Secreto)
Tão perto!

Nada vejo.

22 de abril de 2011

Respeitável público!

Marc Chagall

Hoje tem alegria? Sei não, senhor. Hoje tem palhaçada? Sei não, senhor. Mas tem pipoca, o ingresso é grátis e tem lugar pra todo mundo. O algodão-doce acabou.

O aniversário do blog Markitoland é quatro dias antes do aniversário do palhaço (o blog é, portanto, mais velho que eu).

Palhaçadas foram, e ainda são, várias. Desde o título – pouco inspirado e nada original – ao subtítulo, que já foi “escritos quase escrotos” e por enquanto é “o mundo é um circo em cerco”. O palhaço parece gostar de um bobo jogo de palavras, contanto que não seja tão bobo assim. E às vezes fala de si mesmo em terceira pessoa.

A palhaçada começou com sonetos. Mas logo passaram a caber no circo outras atrações, como algumas Notas sobre a sociabilidade contemporânea, algumas brincadeiras como Tecnostalgia coisa nenhuma! e O princípio da cueca azul e poemas em versos brancos e livres. A prosa também ganhou seu lugar.

Depois, vieram as Simboníricas, que o leitor atento já sabe estarem todas ligadas ao circo.

A cara do circo também não era assim, embora sempre tenha sido cinza. Agora é essa coisa aí que não define se é circo ou parque de diversões. Dá no mesmo, continua cinza. Hoje tem alegria?

Em um ano o blog aprendeu a andar, embora não tenha ido muito longe. Aprendeu a falar, embora não tenha dito muita coisa. Aprendeu a metaforizar, embora nem tudo seja representação.

Escolha um lugar e sente-se. O espetáculo ainda não acabou.

13 de abril de 2011

Felicidade

Felicidade
É placidez.
Intensidade,
Epíteto da angústia.

3 de março de 2011

Samba-enredo genérico

Iluminou
No céu de estrelas alva luz se anunciou
Vem meu amor
Vem naufragar na terra mãe do Criador
Os portugueses quando aqui chegaram
As caravelas
Aí vieram os jesuítas
A catequização dos povos indígenas
Nessa terra de tanta alegria
Desbravada pelos bandeirantes
Mãe África, seus filhos que aqui sofreram
Palmares, símbolo de liberdade
Aos olhos do Imperador
Iluminou

A terra, o amor, a natureza
Os povos em miscigenação
Os brasileiros, harmonia
É muita emoção